De que vale sentir, se tudo dói? E se essa dor, a alma corrói, Penso que todo sentimento destrói.
O sentir faz aflorar água dos olhos, que queimam o rosto na mesma emoção... Penso que o sentimento, deturpa a visão. Se a lágrima escorre pelo rosto, sinto o gosto salgado da minha expressão.
O adorar silencioso, do objeto de desejo, está para a alma tal qual o veneno ao corpo, que aos poucos debilita os sentidos, e abre caminho para a morte, num lampejo.
O frenesi momentâneo do estar junto, nunca faz-se uma paga justa, pela melancolia que arrebata o outro dia, quando no frio do meu quarto me pergunto, quanto tempo levará, para novamente, suprir essa minha mente insana, desse doce ópio de loucura ardente.
Quando morre uma criança, É quando a farsa vira sua dança, Quando se tira sua esperança Tomando-lhe a caneta e o papel.
Quando morre uma criança, É quando arrumam sua lambança, E quando roubam seus sonhos de natal Quando não há mais o Noel...
Quando tiram seus brinquedos, E colocam em suas pequenas mãos Todo o peso dos seus medos Quando as soltam de um colo, E as deixam sozinhas pelo chão.
É quando deixam de lhes dar atenção, Achando que já ficaram grandes, E que não precisam da sua mão.
Quando morre uma criança, É quando as fazem chorar sozinhas, Quando lhe ferem o coração. Quando as pessoas deixam de se amar E não se tratam mais como irmãos.
É quando acabam com sua inocência, Quando fazem com que cresçam, Mesmo sem terem crescido, Quando de uma mãe ou pai, Choram de carência.